Friday, September 16, 2011

A POBREZA DOS EUA? NAO MESMO!

Todos deveriam ter lido este artigo da coluna de Jorge Bastos Moreno em O GLOBO de hoje.Imperdivel!.Reproduzo aqui:

Rádio do Moreno
A Pobreza Americana
16/09/2011 - 15:04 (Rádio do Moreno)

Alguns veículos de comunicação divulgaram nesta semana, com estardalhaço, e uma ponta de satisfação, o crescimento assustador do número de pobres nos Estados Unidos da América. Segundo as matérias – que coincidiram com os dez anos do Onze de Setembro –, o número de pobres na maior potência do planeta é, hoje, de 15% da população, algo em torno de 46 milhões de pessoas, uma Espanha inteira. Alguém é considerado pobre nos EUA, quando ganha o equivalente dezoito mil reais por ano. Ou seja, um salário mensal de um mil e quinhentos reais.
A pirâmide social americana é semelhante à brasileira, desde que, para isso, seja virada de “cabeça para baixo”. Na pirâmide invertida, vemos que o percentual de ricos brasileiros na população é igual ao dos pobres americanos, e que o percentual de pobres brasileiros é o mesmo dos ricos americanos. Infelizmente, é essa a realidade
Sem um grande Presidente desde Bill Clinton – Obama é um medíocre e o antecessor, George Bush, um fraco – os EUA têm enfrentado turbulências e patinado. Estão mesmo passando por uma crise, que começou com a bolha imobiliária há dois anos. Mas, daí a estarem empobrecendo...
No início dos anos 50, logo após a Segunda Grande Guerra, com Europa e Ásia devastadas, no auge do governo de Eisenhower, os EUA chegaram a deter metade do PIB mundial. Essa fatia caiu para um terço nos anos 80 e hoje representa um pouco menos de um quarto. Isso num país que tem menos de 5% da população mundial.
Escandalosamente ricos, os EUA são líderes incontestáveis em muitas áreas da atividade humana; suas universidades são as melhores do mundo; todos os estudantes têm um computador em sala de aula; são os maiores na tecnologia de ponta; o índice de produtividade é o maior entre todos os países; são os maiores importadores e exportadores e suas revoluções e inovações na área digital encontram poucos rivais. Poucos países apresentam indicadores sociais melhores do que o deles.
O deslocamento do eixo de poder para o oriente é uma realidade. Enganchados em uma série de problemas há séculos, China, Coréia e partes do Oriente Médio finalmente saíram do casulo e “deram às caras” pra valer no cenário mundial. A inserção desses novatos não tomou muita coisa e nem diminuiu a presença dos EUA e da Europa no mundo.
O país do consumo desenfreado tem o maior mercado interno do mundo e quase nunca lhe falta dinheiro. E quando isso ocorre, eles pedem emprestado. Sempre me pergunto como os EUA conseguem pagar seus custos militares e de segurança, principalmente depois do Onze de Setembro? E como eles conseguem manter duas ou três guerras quase que simultâneas, a um custo absolutamente aterrador para qualquer nação. Essa crise – passageira – tem a ver com o custo pesadíssimo das duas últimas guerras.
Amados, temidos e odiados, os EUA dividem a opinião mundial. Para alguns, trata-se do grande satã, fomentador de guerras, parasita e pirata mundial. Para outros, é liberal, democrata, magnânimo e mantenedor da ordem mundial!
O Brasil está longe dos EUA, só poderemos nos comparar a eles daqui uns vinte anos, tempo de uma geração inteira. A riqueza dos EUA é desmedida e nos assusta. Eles podem bancar qualquer projeto, cujo custo quebraria qualquer outra nação sobre a terra. Por duas vezes em um século, deram-se ao luxo de reconstruir a Europa e financiar países, e cobraram por isso uma fatura, exportando seu modo de vida para o mundo. Sua música, cinema e estilo de vida invadiram os lares do planeta, e o século XX, foi chamado de o século americano.
Se essa influência está diminuindo, não significa que seu povo esteja mais pobre ou em decadência. Os pobres americanos têm um padrão de vida igual ao da classe média brasileira, lá não existem miseráveis, e o braço do Estado americano alcança todos os seus cidadãos.
Nós estamos lutando para chegar lá!
Theófilo Silva é articulista colaborador da Rádio do Moreno.