Saturday, August 7, 2010

IPANEMA ERA LOGO ALI...CONTINUA COM TOM E BOSCOLI






Ronaldo Fernando Esquerdo e Bôscoli, ou simplesmente Ronaldo Bôscoli, era sobrinho-bisneto de Chiquinha Gonzaga, primo de Bibi Ferreira e do ator Jardel Filho, portanto sobrinho de Jardel Jércolis, artista de vanguarda do teatro de revista. Ronaldo tinha no sangue o gosto pelo show business e pela música, caminho que percorreu com grande sucesso.

Teve como primeira profissão (em 1951) o trabalho num jornal, Diário da Noite, como jornalista esportivo, período limitado à juventude. Nesa época iniciou amizade com Vinicius de Moraes, que já havia jogado o seu charme para sua irmã, Lila, com quem se casaria tempos depois.

Em 1957 escreveu sua primeira letra, "Sente", musicada por Chico Feitosa e interpretada por Norma Benguel no mesmo ano. Nesta época, reunia-se no apartamento de Nara Leão, com quem tinha um relacionamento. Compunha com outros artistas as canções que ficariam conhecidas como estilo bossa nova.

Produtor e diretor de inúmeros espetáculos, foi um dos pais da bossa nova e autor, com Roberto Menescal, de inúmeros sucessos musicais que até hoje são cantados: "O barquinho", "Ah! Se eu pudesse", "Canção que morre no ar", "Lobo bobo", "Nós e o mar","Rio", "Se é tarde me perdoa", "Telefone" e "Saudade fez um samba", só para citar alguns.

Formava com Luiz Carlos Miéle a famosa dupla Miéli e Bôscoli, e foi, enquanto vivo, o diretor de todas as apresentações anuais de Roberto Carlos.

Organizou e dirigiu dezenas de shows em boates no lendário Beco das Garrafas, onde ganhou o apelido de "O Véio", não só por ser mais velho que a turma de artistas, mas pelo jeito ranzinza e reacionário.

Foi o produtor de "O Fino da Bossa", apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues. Além disso produziu para a TV os especiais "Brasil Pandeiro" (com Bety Faria), "Alerta Geral" (com Alcione) e "Bibi 78 e 79" (com Bibi Ferreira).

No campo da mulheres também foi sucesso. Seus amores, quase sempre ligados à música, foram Nara Leão, Maysa, Elis (com quem foi casado e teve um filho, João Marcelo Bôscoli), Mila Moreira e Heloisa de Souza Paiva, sua segunda mulher.

Contam que, já quase à morte, recebeu a visita de Roberto Menescal no hospital onde se encontrava. Ao entrar no quarto, Menescal ficou arrasado ao ver Ronaldo no fundo da cama, com os braços abertos em cruz — um deles atado ao frasco de soro e o outro, ao de sangue. Mas a saudação de Ronaldo, com voz fraca e sumida, desarmou-o: "Vai de branco ou vai de tinto, Menescal?".

Durante a década de 80 seguiu escrevendo programas para a TV Globo e produzindo um show anual de Roberto Carlos, mas deixou de ter a mesma influência no cenário musical. Lutou contra um câncer de próstata por cinco anos, até morrer, em 1994. O atestado de óbito apresentou infecção generalizada e insuficiência renal como causas da morte. Seu corpo foi enterrado no cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul da cidade do Rio de Janeiro.

Antes de falecer, em 1994, prestou depoimento a Luiz Carlos Maciel e Ângela Ferreira Chaves que se transformou no livro "Elas e eu: memórias de Ronaldo Bôscoli", Editora Nova Fronteira — Rio de Janeiro, 1994.

Em 2009, o produtor foi interpretado pelo ator Mateus Solano na minissérie "Maysa - Quando Fala o Coração", de autoria de Manoel Carlos, que retratou, em 2009, a carreira e a vida de Maysa.

TOM JOBIM

(Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994)

Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, conhecido por Tom Jobim, nasceu no dia 25 de janeiro de 1927, onze e quinze da noite de uma terça-feira. Muita água caindo do céu, nenhuma saindo das bicas da rua Conde de Bonfim, no bairro carioca da Tijuca. O conserto de um cano viera perturbar o nascimento do primeiro filho de Jorge Jobim e Nilza Brasileiro de Almeida, na casa de nº 634. Com a ajuda do irmão de Nilza, Marcelo, a quem coube a tarefa de providenciar água para o parto, e de sua irmã Yolanda, que se desdobrou na cozinha para que não faltasse café para o dr. Graça Mello, que o bebia em doses quase industriais, finalmente veio ao mundo Tom Jobim com quase 60cm de comprimento e pesando quatro quilos.Aquariano com ascendente em Libra, dois signos ligados ao ar como os seres alados que tanto admirava, no horóscopo chinês, Tom era gato, o que talvez explique sua implicância com deslocamentos e mudanças. E, no entanto, trocar de endereço foi uma das coisas que ele mais fez na vida.A primeira mudança foi em 1931, quando os Jobim trocaram a Tijuca por um bairro da zona sul da cidade, que então não passava de um enorme areal distante de tudo e pouco habitado: Ipanema
Embora tenha manifestado seu gosto pela música precocemente (só dormia embalado pela voz da mãe ou da avó Emília e gostava de escolher o repertório), sua relação mais intensa, a princípio, foi com a praia, as praças e as grimpas de Ipanema, onde nadava, pescava, soltava pipa, andava de bicicleta, subia em árvores, escalava morros e telhados — e quando se cansava tirava uma sesta nos bancos da praça N.S. da Paz. Era capaz de atravessar a Lagoa a nado e volta e meia arriscava um audacioso mergulho das pedras do Arpoador.
A despeito de toda essa esportividade, fazia o gênero contemplativo. Sobretudo na escola. Passou por tantos colégios quanto mudou de casa. Estudou no Mallet Soares, em Copacabana, depois no Mello e Souza, no Paula Freitas, no Rio de Janeiro, dividindo o que então chamavam de curso científico entre o Juruena e o Andrews. Um dia, quando tinha 14 anos, deparou-se, ao voltar da praia, com um piano na garagem de casa. Esse piano mudaria sua vida.
Era um Bechstein alugado para que Helena aprendesse a tocar e o professor Hans Joachim Koellreutter desse aulas no Colégio Brasileiro de Almeida, fundado por d. Nilza. Por achar que piano era “coisa de mocinha”, Tom aproximou-se do teclado com uma certa cautela, combinando notas de brincadeira. Quando se deu conta, já estava fisgado. E tomando aulas com o professor, às vezes durante dez horas seguidas. Com ele aprendeu as coisas básicas, praticou escalas e adquiriu as primeiras noções de composição e harmonia.

Música, dizia-se, não dava camisa a ninguém e Tom, louco para se casar com Thereza Otero Hermanny, partiu em busca de uma profissão mais segura. Bom de desenho, fez vestibular para arquitetura. Com ajuda do padrasto, que reformou um quarto de empregada para que Tom e Thereza pudessem morar com a família na casa de dois andares da rua Redentor, 307, os dois se casaram, em 15 de outubro de 1949, e foram passar a lua-de-mel em Petrópolis.
Tom não conseguiu ir além do primeiro ano de arquitetura. Teso, resolveu ganhar dinheiro com aquilo em que já era quase doutor. Por intermédio do maestro Alceu Bocchino, diretor da Rádio Clube do Brasil e amigo de tio Marcelo, arrumou emprego como pianista daquela emissora, que logo acumulou com outro, de seis às dez da noite, no Bar Michel. Mas não por muito tempo. Antes que o estresse o destruísse, optou, temporariamente, pela noite.
Passou pelas principais casas noturnas do Rio, alternando ao piano um eclético repertório de ritmos: sambas, boleros, foxes, rumbas, canções francesas, tangos. Até se dar conta de que não iria muito longe embalando noctívagos, bêbados, boêmios e grã-finos. Para ser um músico de verdade, precisaria aprofundar seus conhecimentos de harmonia e orquestração.
Falar dessa geraçaõ que mudou a musica brasileira é um barato....Heitor Castro,musico e amigo meu de longa data ( fizemos o GIT juntos em Los Angeles,em 91)disse que Tom era muito amavel e que gostava de ensinar,dar dicas.Heitor conviveu com o maestro nos ultimos anos de sua vida,e aprendeu muito, como me disse uma vez.Ipanema está sendo homenageada fora de época porque odeio épocas certas.A coisa certa é dizer que ainda é o melhor bairro para se viver no Rio, apesar de existirem outros bons, como o leblon e a barra, Ipanema é Ipanema....não tem jeito não. Mesmo sabendo que não se produzem mais tendencias como antes, as que o Rio produz, a maioria ainda sai de lá.Ipanema é chique, é bossa, é nova.
Ronaldo Boscoli, Tom, Jaguar,Ivan Lessa,Hugo Bidet,Ziraldo,Nelson Xavier,Leila Diniz,Vinicius,Chico,Paulo de Tarso,Carlos Lyra,Menescal,Glauber,enfim...a lista de antes é grande, e a de agora tambem: Cazuza,Pedro Bial, Bernardinho,Lenny Niemeyer,Ricardo Amaral,Cacá Diegues,Lulu Santos,,e assim vai....tem Joao Gilberto semana que vem, junto com Vinicius e para fechar,JOHNNY ALF.