Friday, July 23, 2010

COLUNA DE HOJE: IPANEMA ERA LOGO ALI, MAS PERDEMOS A FESTA.


IPANEMA ERA LOGO ALI, MAS PERDEMOS A FESTA.

Nessas andanças pelo mundo, bateu uma daquelas saudades sem razão, saudade que só tem fundamento na ingenuidade das idéias e na glamourização das coisas.Dia desses li uma entrevista com Ivan Lessa, famoso jornalista e um dos fundadores do jornal " O PASQUIM", aquele mesmo, que desafiava a ditadura com muito humor e sarcasmo. Bem, voltando ao Ivan...ele foi para Londres há 32 anos atrás e nunca mais voltou ao Rio por 30 anos.Nem a passeio.

Fiquei me perguntando o porque da longa ausencia -quebrada por uma visita de 10 dias há uns 5 anos atras - e me veio na cabeça que ,falando sério...é melhor mesmo ir pouco a Rio e manter na cabeça um Rio que já não existe.....o Ivan tem o seu,que ele cultiva e saboreia,e eu tenho o meu, quer saber como é ??

No meu Rio, não tem mais a turma de Ipanema que tinha Tom Jobim,Vinicius, Jaguar,Ivan Lessa,Hugo Bidet,Ronaldo Boscoli,Ziraldo,os Dzi Croquettes,Daniel Azulay..e por aí vai...a lista é longa. No meu Rio tem espaço para Ipanema, pois durante uns bons 5 anos - entre 88 e 94 (SALVO OS 2 ANOS QUE PASSEI EM lOS ANGELES, ESTUDANDO) - vivi minhas bandas e ensaios e noitadas no garota do Leblon quase que diariamente. Eram os resquicios da turma acima citada, mas era bom...sem celulares, sem e mail, só o telefone normal..quando queriam me achar ligavam para o "garota do Leblon" e o seu Farias, o dono, me achava por lá....que coisa boa, informal, sem grilos né..meu escritorio era o bar.Hoje ninguem se conhece mais nos bares.esta tudo automatico.

As meninas iam a praia a vontade, não como hoje, cheias de apetrechos, parecendo que são todas paulistas.....preocupadas em serem clicadas por uma revista ou descobertas para a profissão de " modelo e atriz", coisa comum hoje em dia no Rio. A gente parava no balada sucos para comer as 2 da madrugada tranquilos...aí olhava para o lado e estava lá o Cacá Diegues, o Pedro Bial, que conheci ali, o Pat Metheny, musico americano que vivia no Rio naquela época. Tinha a Company, O Gordon, tinha vida. Nao estou sendo nostalgico não..é que me dói ver como hoje ninguém sabe como curtir uma noitada..até mesmo muitos amigos meus com a minha idade (37) e que viraram os caretas....os quadrados..cade a boemia ?? o poeta cazuza dizia:"vamos pedir piedade para essa gente careta e covarde"...

A gente sempre chegava na hora, a gente sempre ia em tudo, a qualquer hora: dava na telha de sair de lá para a Barra e a gente ia....do Leblon a Ipanema era coisa de vai e vem...Esse clima carioca hoje está ruim de ter..hoje são as choperias de "rede"...a coisa estilizada, as garotas com roupas iguais....está tudo muito conectado, interligado....está estranho.
Eu sou um cara que rodou e roda bastante por esse mundão, mas que sente essa suadade de um Rio que era isso: despojado..antes dessa onda de paparazzi,dessa gente que se acha celebridade..mas não diz a que veio...como diz o lobão ,"dessa completa falta do que falar"...sabe ?

Eu sempre disse que minha geração pegou o "fim de feira" da geração de ipanema que criou tantas coisas: a bossa nova, o cinema novo, o pier,o desbunde, a cultura...a gente chegou ali pelo final dos 80 e inicio dos 90....mas deu para comer umas migalhas..imagino essa molecada que fica no baixo hoje, se achando "inseridos" em um contexto, mas sabendo do vazio que lhes ronda a alma, não tendo nada para contestar, a não ser a mesmice que, para eles, é normal.
Achava que tinha chegado atrasado a festa de um Rio que "bombava", mas não cheguei tanto assim não.....olhando para hoje, não mesmo !

Vou, a partir de hoje e por 1 semana, publicar artigos sobre os personagens desse Rio e eu, quando for ao Rio, não aceitarei convites para ir a Lapa - Lapa que eu ia quando era boemia e perigosa, quando tinham bares de verdade e malandros de verdade - não essa Lapa de plástico. Não aceitarei tambem convites para beber em bar de rede..bar para mim é Jobi, Bracarense,Lamas,Bofetada e o Petisco da Vila, lá em Vila Isabel..o resto é fachada, perfumaria.Pra beliscar coisinhas, fico com o degrau, no Leblon, Pizzaria Guanabara, cervantes de copa - esse sim os outros cervantes, nao - e a Porcão de Ipanema e da Barra, para comer carne e beliscar.Tento ter um Rio decente para mim, mas com essa falta do que falar e fazer...sei não.

Outra: tem muito pé sujo no Rio que eu adoro...mas as patricinhas e os mauricinhos querem é ir ao belmonte ou ao informal....isso não é bar, isso é feira de ciencias....parece que todos ali estão dopados....as mesmas roupas, mesmos celulares, mesmos tenis....cade a boemia, a anarquia ??

E o pior? fazia tudo isso em Ipanema e Leblon, mas morava na Barra, que so tinha -como ate hoje SO tem - shopping e churrascaria. ( porque bar que se preze, bom, a Barra nao tem, nem nunca teve, salvo a Academia da cachaca e o oswaldo )Era mais zona sul do que se vivesse la...alias, eu VIVIA LA.

Saudades do Vinicius e do "Garota do Leblon".

PERSONAGEM DE IPANEMA DE HOJE: JAGUAR.
Tive a oportunidade de conhecer Jaguar pessoalmente por breve periodo, ja que ele tem casa ao lado da dos meus pais em Itaipava.Deu para ouvir umas historias da epoca e tem essa entrevista que pincei tambem.Vale a pena conferir.


Fundador do histórico jornal O Pasquim, o cartunista e chargista lembra dos tempos da ditadura – e das gostosas que seduziam o censor -, e fala de seu assunto preferido: a BEBIDA.

Nascido num 29 de fevereiro, no Estácio, Rio de Janeiro, Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe teria agora 74 anos, mas Jaguar, como é conhecido, diz ter, com direito de causa, 18 anos e meio. “Aliás, essa é minha idade mental”, diz o criador do ratinho Sig, imortalizado no jornal O Pasquim, que pode ser revisto com o lançamento do livro O Melhor do Pasquim (Ed. Desiderata), que ele organizou com o jornalista Sérgio Augusto. O humor corrosivo e debochado continua sendo sua marca registrada, tanto nas colunas que publica no jornal carioca O Dia quanto numa conversa – de preferência num balcão de bar. Aliás, sua juventude pode ser medida em doses de uísque, ou copos de chope, que consome diariamente, de manhã à noite. Mas sua presença nos bares do Leblon, no Rio, em especial o Bracarense, já não é tão constante. Não, ele não está diminuindo os goles, apenas transferiu os tragos para o Planalto Central, para onde se mudou com a mulher, Célia, médica sanitarista que trabalha no Ministério da Saúde.

LEO – Você está morando em Brasília?

JAGUAR - Estou morando em três lugares, no Leblon, em Brasília e em Itaipava, o que dá uns problemas. Por exemplo, às vezes acordo de madrugada para ir no banheiro. Só que eu penso que estou em Itaipava e estou em Brasília e dou com o nariz na parede (risos). Estou morando em Brasília e não é por nenhuma paixão inexplicável, é que a minha mulher é sanitarista e foi convidada pelo ministro da Saúde, Saraiva, a trabalhar com ele em um alto posto, e ela não aceitou. E eu “pô, por que você não aceitou, isso não é bom para o seu currículo, para a sua carreira?”, e ela “que é, é, mas eu vou fazer o quê sozinha lá em Brasília?” Eu falei “como sozinha?”, e ela “tu não sai do Rio nem amarrado”, e eu falei “não, saio até desamarrado”. E estou lá e, por incrível que pareça, estou gostando.

LEO – Está morando onde lá em Brasília?
JAGUAR - No hotel, um flat, ótimo. Adoro morar em hotel.

LEO– E já descobriu o Beirute lá?
JAGUAR - Ah, o Beirute eu já conhecia de outras vezes. Tem 40 anos. Agora, eu já cheguei lá com a sorte de conhecer os donos dos melhores botecos de lá. Da Toca do Chope é o Claude Capdeville, e o Jorge Ferreira, que tem uma rede de bares, o Bar Brasília, o Bar Monumental, o Bar Brasil, o Armazem do Ferreira. Se é uma cidade que tem bons bares, bons restaurantes e boa música, eu estou em casa.

– Mas e o fato de estar perto do pessoal do poder?
JAGUAR – Pois é. Com essa coisa do mensalão, a gente sai quase toda noite, vai a um lugar, vai a outro e até agora só vi o Roberto Freire, por acaso, porque fui ver o filme do Vinícius no shopping e ele estava lá. Eles estão meio sumidos. Se você vir um cara com um saco de papel com dois buracos (nos olhos), é um deputado (risos). As pessoas são simpáticas lá em Brasília e não têm culpa da fama. Os brasilienses sofrem com esse negócio de mensalão.

Eu mesmo, no meu contrato com O Dia, tenho uma passagem por mês, e qualquer coisa que eu faça eu digo “bota uma passagem aí” (risos). Eu estava no Leblon outro dia e ouvi uma voz, o cara por trás de mim falou “e aí, Jaguar, já pegou o seu mensalão?’ E a corrupção lá é toda importada, é o Roberto Jefferson que é do Rio, é o pessoal de São Paulo, o Severino, mineiros, eles mesmos pagam o pato, mas a corrupção é toda importada.

LEO– E como é que está a boemia? Mais tempo no Rio ou em Brasília?
JAGUAR - Eu fico mais tempo em Brasília, já conheço mais bares do que 90% dos brasilienses. Estou até pensando em escrever um livro chamado Confesso que Bebi em Brasília Também (risos). Tem uns bares excelentes, desde botecos vagabundos, desses pé sujos, que eu adoro. Mas também tem os chiques. No Meliá Confort Hotel tem um bar chamado Churchill, que é uma mistura de Florentino e o Mistura Fina, do Rio. É um bar chiquérrimo onde, inclusive, pode fumar. Eu não fumo, mas a minha mulher, que é médica, fuma dois maços de cigarro por dia. Casa de ferreiro, espeto de pau.

– O que você está bebendo mais ultimamente?

JAGUAR - Tudo (risos). Menos bebidas doces. E vinho. Eu adoro vinho, mas é a única bebida que, misturando com as outras, me dá dor de cabeça. E eu não tenho ressaca. Se eu tivesse ressaca, parava de beber. Deve ser horrível.

– Mas você tem uma rotina? Começa a beber uma determinada bebida e depois parte para outra ou chega no bar e bebe o que dá vontade?

JAGUAR – Não tenho rotina, não. Eu fiz uma crônica, A Dieta Jaguar, que é a minha dieta, porque eu tenho, há 40 anos, o mesmo peso, 72, 73 quilos. Mas eu tenho uma dieta, que está na moda, e eu passo para as pessoas. Fez o maior sucesso.

– E como é a sua dieta?
JAGUAR - É a seguinte: acordo e tomo um café, cafezinho, um pão com manteiga e uma água, a única água que eu bebo no dia, um copo d’água. Daí para frente fico trabalhando e tal. Acordo cedo sempre. Aí vou dar uma voltinha, levar os meus desenhos para mandar e tomo uns chopes, como umas coxinhas de galinha, um Stanheguer, e por aí vou. Raramente eu como, fico mais beliscando. Às seis da tarde eu tomo uma sopa de legumes ou um caldo verde, e daí para frente nada sólido.

– Você procura conhecer comidas novas, experimentar?
JAGUAR - Sou um cara que adora comer. Dos meus amigos, sou o único que não sabe cozinhar. Todos eles são grandes cozinheiros, tem o rei disso, o rei daquilo, o rei da rabada, e eu não sei fazer nada, mas sou um ótimo público. E o cara que cozinha precisa de platéia. Agora, sempre me senti meio inferiorizado porque não sei fazer nem um ovo frito. Aí fui entrevistar o Apicius, que é um super “conoacer” de bebidas e comidas, e perguntei “qual é o prato que é a sua especialidade?”, ele falou “não sei fazer nem ovo frito”.

– Você está com quantos anos?
JAGUAR - 74 eu faço agora… Não, não faço agora, porque eu sou bissexto. Eu só faço aniversário de quatro em quatro anos. Na verdade, eu tenho 18 anos e meio (risos), que, aliás, é minha idade mental.

– Você comemora aniversário?
JAGUAR – Eu dei sorte, porque se há duas coisas que detesto são aniversário e Natal.

– Por algum motivo?
JAGUAR - Acho chato pra cacete. Natal acho uma babaquice. E esse negócio de aniversário, você está com um ano a mais, chegando na cova, pô, qual é a graça? Principalmente quando você vai envelhecendo, é pior ainda. E normalmente, no dia 29 de fevereiro, quando faço anos, eu desapareço, e só apareço dois dias depois. E a minha mulher quer que eu faça aniversário, sempre tem uma brigalhada.

– A sua mulher, como médica, não regula você em relação à bebida? Como é a sua relação com a saúde?

JAGUAR - A minha relação com a saúde é a seguinte: eu atribuo a minha sobrevivência ao fato de não ir ao médico há 25 anos. Nunca fui ao médico. Sempre tive empregos formais, mas quando fui trabalhar no jornal A Notícia, eu era o editor, então tinha de ter carteira assinada e fazer exame. Eu disse “então foda-se porque não vou fazer”. E não fiz. A minha mulher começou como endocrinologista, depois foi trabalhar no sistema público de saúde, o que foi uma grande idiotice. Se ela continuasse endocrinologista eu nem precisaria mais trabalhar. E ela tentou tirar minha pressão uma vez e eu arranquei aquele troço e joguei na lixeira. Minha relação com a medicina é só respiração boca a boca.

– Está casado há quanto tempo?
JAGUAR – Estou casado pela quinta vez. Estamos juntos há uns… sei lá, sempre digo que são 12 anos, mas ela diz que são 15. Nunca fiquei mais de dez anos casado, mas agora já estou na marca do pênalti, então não vou mais… e ela é uma gracinha de pessoa, cuida de mim pra cacete. Agora, o negócio de bebida é o seguinte: o Millôr Fernandes fica puto da vida com a minha fama. Ele acha que eu sou um enganador, que eu fico fingindo que bebo, que bebo pouco. Eu, quando casei com a Célia, que é médica, achava que jornalista era a categoria profissional que mais bebia. Que nada, são os médicos. Eles bebem pra caralho, fumam pra caralho. E tem mais: a Célia nunca bebe menos de meio litro, e sai inteirona. E dirige. Eu não dirijo mais.

– Você sente quando está embriagado?
JAGUAR – Sou um bêbado civilizado. Chega um ponto em que digo “estou bêbado”, e paro. Normalmente, durmo na mesa. Não xingo ninguém nem dou porrada. Meu único problema é evitar tomar sopa quando estou de porre. Duas vezes quase morri afogado. Caí com a cara na sopa. Mas sou um bêbado tranqüilo. É só me carregar para casa.

– Os amigos de bar continuam os mesmos ou a lista é renovada?
JAGUAR – A maioria morreu. As pessoas têm uma mania filha da puta de morrer. Eu, inexplicavelmente, continuo vivo. Dos fundadores da Banda de Ipanema, só eu estou por aí. E continuo bebendo. Tem uns caras que param. São chatos pra cacete esses caras que param de beber. E me evitam. O João Ubaldo (Ribeiro), por exemplo, vira a esquina quando me vê.

– Mas quando vai de bar em bar não encontra conhecidos?
JAGUAR – Outro dia eu passei no Bracarense (bar do Leblon, Rio), parei para tomar um chopinho e tinha um cara perto que ligou para alguém dizendo ‘ô meu, estou aqui no Braca bebendo com o Jaguar’. O sujeito estava a meio metro de mim. Aí eu fiz uma daquelas burradas que você se arrepende pelo resto da vida. Em vez de ficar na minha, eu falei ‘pô, mas tu é cara de pau mesmo, está bebendo aí e eu aqui, mas não comigo; pelo menos, pela mentira, poderia me pagar um chope’.

O cara pagou dez, mas me alugou. Aí ligou pro tal do ‘ô meu’ e disse ‘ô meu, tô aqui, fala com o Jaguar’. Num outro dia comprei uma máquina fotográfica, daquelas de filme, porque detesto as digitais. Você vê na telinha, não tira, não passa para o papel e daqui a 10 anos não tem registro nenhum. Então comprei daquelas de 12 poses e fotografei o pessoal que estava no Bracarense. Depois fui revelar e, 15 dias depois, dois dos caras já tinham morrido. Agora não deixam mais eu levar, virou “a máquina mortífera”. Agora, quando eu chego com a máquina, neguinho sai correndo (risos). Outro dia estava na cidade, aí um cara ficou olhando pra mim, olhando pra mim, e falou assim: ‘já lhe disseram alguma vez que o senhor é muito parecido com o falecido Jaguar?’ Eu falei ‘já, pô, várias pessoas me disseram isso’ (risos). É fogo, não é mole não!

– Você acha que, entre os mais jovens, não tem mais aquele espírito de ficar bebendo no bar? Mudou alguma coisa nisso?

JAGUAR - A rapaziada de hoje bebe muito mal. Eu vejo pela filha da minha mulher e os amigos dela, o pessoal da faixa dos 26 anos. Ela nem tanto, mas a maioria não bebe em casa, só Coca-Cola. Agora, as festinhas deles é o seguinte: eles saem de casa à meia-noite, e aí bebem chope, bebem coquetel, bebem aquelas misturebas de coisas doces com não sei o quê, e ficam todos de porre porque não são do ramo. Bebem porque um bebe e o outro não quer ficar atrás e bebe. Agora, durante o dia eles não bebem, não são como eu, que tenho na minha casa uma garrafa de uísque em cada cômodo.

– Você nunca trabalha sem antes tomar uma dose?
JAGUAR – É, mas não muito, é só um pouquinho.

– Como vem a idéia para você criar?
JAGUAR – Não vem.

– Você tem de ser pautado?
JAGUAR – Não, eu leio cinco jornais por dia, leio as manchetes, anoto as coisas e aí bolo as piadas. Elas não caem tipo inspiração, tenho de correr atrás.

– Sempre foi assim?
JAGUAR - Sempre foi. Eu detesto desenhar. O Ziraldo, por exemplo, é um cara que adora desenhar. Se ele estivesse conversando com você aqui, ele estaria desenhando o tempo todo. Eu detesto desenhar.

– Por que você virou cartunista, chargista?
JAGUAR - Bom, eu gostava de desenhar. Agora eu detesto. Mas eu só trabalho quando tenho de fazer um trabalho.

– Todo o pessoal do Pasquim foi chamado para mexer nesse livro ou foi só você?
JAGUAR – Não, para esse livro fomos chamados o Sérgio Augusto e eu. Aí nós sentamos e trabalhamos. Foi um trabalho interessante por um lado e frustrante por outro porque o que a gente teve de rejeitar daria para fazer dois livros, ou três desse, tão bom ou melhores. Mas aí não seria uma seleção, O Melhor do Pasquim.

– Vocês, que eram do Pasquim, são amigos ainda?
JAGUAR – Sim. Mas andei brigado com o Ziraldo. Ele resolveu refazer O Pasquim, e eu fiquei puto. Ele até me chamou para ser editor e eu falei ‘Ziraldo, não pode, o Pasquim é um negócio que já está na história, não tem sentido, é um jornal que só funciona debaixo de uma ditadura, é um jornal de guerrilha, e você vai fazer o Pasquim com um pessoal de segundo time e vai ser uma merda, vai ser um fracasso’. E não deu outra, né.

– Da Bundas, você participou.
JAGUAR – Participei, e depois briguei de novo com o Ziraldo.

– Por que a Bundas não deu certo?
JAGUAR – Primeiro, o jornal levou meses para ser lançado porque eu era absolutamente contra o nome. Falei ‘Ziraldo, esse nome é uma merda’, e ele ‘não, porque tem Caras’, e eu ‘e você vai se pautar por Caras, que é uma revista de merda? Botar essa equipe de Veríssimo, Millôr e tudo para disputar com uma revista de merda dessas aí?’ Então se contratava um publicitário e ele dizia ‘não dá para trabalhar com esse nome’, aí o Ziraldo demitia o cara. Ele é teimoso para caralho. Eu editava o jornal e ia para Itaipava, e ele fechava a capa.

Para você ter uma idéia, em um dos primeiros números, eu disse ‘vou fazer entrevista com o Zeca Pagodinho’, e ele ‘quem é esse cara?’, eu falei ‘é um grande sambista, do nível do Martinho da Vila, altíssimo nível’, e ele ‘ah, já sei, é um desses crioulos que são seus amigos’. Pô, aí fiz a entrevista, ficou do cacete, e quando vejo a capa quase tenho um ataque. Ele botou uma caricatura do ACM feita pelo Paulo Caruso. E durante uns dois meses, ele publicava sem chamada de capa. E eu ‘mas como? Não tem chamada de capa?’, e ele ‘chamada de capa não vende jornal’, e eu ‘mas quem que meteu isso na tua cabeça?’. É a mesma coisa quando tu vai a um restaurante e não tem cardápio, você não sabe o que tem para comer. Aí, no fim ele acaba quebrando a cara e admite que estava errado, mas aí já era tarde, porque a Bundas tinha tudo para dar certo.

– Mesmo você não gostando do nome?
JAGUAR – Se eu ainda tivesse uma tia, você acha que ela ia ter coragem de chegar no jornaleiro e virar para o italiano lá e ‘me dá a Bundas’ (risos). Pô! E além de tudo, imagina outra cena: o diretor do Banco de Boston, a secretária dele fala ‘tem um rapaz com uma nova revista aí que quer conversar com o senhor porque ele está querendo publicidade”, e ele ‘como é o nome da revista?” Bundas! O cara nem manda entrar! Foi o nome, porque era ótima a revista, era muito boa, e eu acabei brigando com ele. Agora eu fiz as pazes, porque conheço o Ziraldo há 50 anos. Sabe aquele filme daqueles dois velhos?

– Com o Jack Lemmon e o Walther Mathau?

JAGUAR – É. Eu disse ‘pô, nós estamos iguais aqueles dois velhos, vamos parar com isso’. Parece coisa de idiota. Uma vez a gente teve uma briga que eu acabei às gargalhadas. O Ziraldo usa colete. Aliás, ele vai entrar agora para a Academia, sabia? Não sei se ele vai entrar de colete, porque ele só usa colete, tem uma coleção de uns 200 coletes. Aí ele virou para mim no auge da discussão e disse ‘você parece um velhinho de boné’, e eu falei ‘e você parece um velhinho de colete’. Eu falei ‘porra, Ziraldo, assim não dá, é muito ridículo’ (risos). Agora não adianta, fiz as pazes com ele.

– No trabalho nesse livro, você teve uma outra avaliação do que foi o Pasquim?
JAGUAR – Ah, tive! Primeiro eu dei sorte, porque mãe serve para isso. A minha mãe sempre colecionou. Eu mudava de casa, mudava de mulher, mudava de casa. E o Vinícius disse que quando saía de um casamento levava só a escova de dentes. Nem isso eu levava. Eu não tinha nada. Nunca tive a coleção, mas a minha mãe tinha a coleção completa do Pasquim. E ainda ganhei uma outra coleção de um cara que ligou para mim e ‘olha, eu consegui o seu telefone e tal, e a minha mulher está querendo jogar fora, diz que está entulhando a garagem, você quer a coleção?’, e eu falei ‘quer como?’, e ele ‘não, eu dou para você’, e eu ‘ah, bom! Dada!’ E tenho duas coleções.

E eu fiquei bestificado com a qualidade das matérias, pô, só tinha feras, Paulo Francis, Ivan Lessa, Millôr Fernandes, Ferreira Gullar, Flávio Rangel, Sérgio Augusto, Vinícius de Moraes, o nosso correspondente em Londres era o Caetano Veloso, nosso correspondente em Roma era Chico Buarque, o Glauber Rocha mandava entrevistas com Garcia Marquez, um negócio de doido. As entrevistas eram fantásticas. Eu, sem querer, fui responsável pelo nome do Pasquim. Quando a gente estava quase desistindo de fazer o jornal porque não tinha nome, eu falei ‘por que a gente não faz o seguinte: quando falarem de pasquim, porque inevitavelmente vão dizer que o nosso jornal é um pasquim, a gente corta a onda deles, corta a piada’. Eles já estavam de saco cheio e toparam.

A primeira entrevista foi com o Ibrahim Sued. Eu fiz com o Sérgio Cabral e o Tarso de Castro. Aí eles sumiram, e na hora de rodar o jornal, eu, como eu era o mais disciplinado porque fui funcionário do Banco do Brasil, tinha uma disciplina, tirei a entrevista do gravador e mandei. Quando eles chegaram, ‘deixa eu ver a entrevista’, daí mostrei para eles e ‘nem pensar! Tem de fazer o copydesk’. Eu era cartunista. ‘O que é copydesk? Que porra é essa?’ E eles ‘botar em linguagem jornalística!’, eu falei ‘ah, não! Nem pensar! Está aqui, do jeito que as pessoas falam’, e eles ‘não’, e eu ‘agora fodeu, porque está na hora de rodar’, e foi daquele jeito. Sem querer, por ignorância minha, que foi feita uma revolução na linguagem jornalística.

– Quem foram os fundadores do Pasquim?
JAGUAR - A história foi a seguinte. O Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, fazia um jornal chamado Carapuça, só que ele não escrevia uma linha, quem escrevia era um cara chamado Alberto Eça, que fazia um pastiche. Nós, que somos do ramo, sabíamos a diferença, mas o público não percebia. Aí morre o Sérgio Porto e nós podíamos continuar do mesmo jeito, mas tinha de chamar aquele médium, o Chico Xavier, para participar da jogada. Aí chamaram o Tarso de Castro para fazer, e o Tarso veio me consultar. Eu já tinha colocado o Tarso na Última Hora como colunista.

‘O que você acha?’, e eu ‘acho esse jornal uma merda, muito ruim. Põe uns caras lá para fazer um outro jornal’. Eles toparam e foi aí que começou. Aí juntou Tarso, eu, o Carlos Prósperi, que fez a parte de diagramação, o Sérgio Cabral, e o Claudius, cartunista. O primeiro número, eu pedi um desenho para o Ziraldo, ele falou que estava muito ocupado mas eu ‘então posso usar um desenho seu já publicado?’, e ele ‘pode, não tem problema’. Aí, quando o jornal deslanchou, porque ele começou com 10, 14 mil exemplares, e seis meses depois estavam fazendo a festa dos 100 mil exemplares, o Ziraldo entrou e participou, mas só depois do terceiro número que ele mandou desenhos originais.

– Você releu todo o material para fazer o livro?
JAGUAR - Reli. Nunca tinha feito isso. Porra, mas é bom! De qualquer maneira, foi muito divertido trabalhar no Pasquim.

– Deu para ganhar dinheiro com o Pasquim?
JAGUAR – Muita grana.

– Só com venda?
JAGUAR – Vendia 220 mil exemplares! A gente ganhava muito dinheiro e gastava para caralho. Cada um gastava da sua maneira. O Tarso alugava avião, comia a Candice Bergen, alugava uma suíte em um hotel e enchia de mulher. A minha curtição era a seguinte: eu aluguei uma casa em Arraial do Cabo e ficava lá a semana inteira tomando cana com os pescadores. Cada um tinha o seu estilo.

– A mulherada ficava em volta do pessoal do Pasquim?
JAGUAR - Muito. A gente vivia fotografando mulher pelada. As mulheres ficavam andando peladas pela redação.

– Como era esse assédio? Elas se aproximavam ou vocês chamavam?
JAGUAR – Eu, por exemplo, era monógamo. Sempre fui monógamo, com uma mulher de cada vez, que nem o Vinícius. Ele foi nove vezes monógamo, nove vezes fiel, fidelíssimo. Mas, claro, de repente tomava um porre e acordava num lugar que você não sabia nem onde estava. Agora, tinha o Tarso de Castro que era um mulherengo danado, que deitava e rolava. Eu me lembro que nós fizemos uma matéria que tinha uma mulher pelada andando, e tinha um cara que viu e ‘tem uma mulher pelada aí’, e nós ‘está vendo alguma mulher pelada aqui?’. Ela deitada na minha mesa, pelada, e eu ‘não estou vendo mulher pelada nenhuma, você está maluco, cara!’. Era muito divertido.

– Mas isso só era possível porque era um grupo de amigos?
JAGUAR - E um bando de porra loucas. Por exemplo, um jornalista profissional que eu chamei para ser editor, o Alberto Dines, é um cara acostumado com aquele sistemão de jornal grande, e ele ficava histérico. Ele dizia ‘Jaguar, o jornal vai fechar daqui a meia hora e ainda não tem capa, porra!’ E eu, ‘calma, rapaz, ainda tem meia hora’ (risos). Uma vez cheguei na sala dele, ele estava deitado no chão, em posição fetal, completamente desesperado. Por exemplo, para você ver como era um jornal diferente: Ivan Lessa, que é um gênio, quando começou a responder as cartas, os leitores participavam, havia uma empatia, e chegavam sacos de cartas. Sabe o que o Ivan fazia? Jogava tudo fora, inventava as cartas e respondia. Era muito engraçado.

– O Pasquim só foi possível por causa daquela época?
JAGUAR - Acho que sim. Ele deu certo pelo seguinte: a hora que uma coisa acontece é porque há uma necessidade. A coisa mais gratificante, por exemplo, foi os caras que foram, que nem o Betinho, para a Europa em um rabo de foguete, e chegavam lá, em Paris e não sei aonde, cada O Pasquim era lido por cem pessoas, acabava rasgado, em frangalhos. E era um negócio que era proibido, os professores proibiam. Inclusive a gente não teve muita solidariedade, aliás, nenhuma.

Quando a gente era apreendido, a grande imprensa publicava assim: ‘um certo semanário’. Não dizia nem o nome. E toda hora o jornal era apreendido. Eu me lembro que a primeira vez que fui conhecer Brasília foi porque um general da censura mandou me chamar, e eu ‘mas não tenho dinheiro para a passagem’, ’se vira, senão o jornal não sai’. Aí fiz uma vaquinha, consegui uma passagem, fui lá e ele marcou às 4 horas. 4 horas eu chego lá, aí o filho da puta diz assim ’só posso atender daqui a duas horas’, e eu falei ‘puta que o pariu, não conheço Brasília. Onde é que tem um bar aqui, porra’. Aí fui para o Beirute e fiquei duas horas tomando Stanheguer e chope, Stanheguer e chope.

Eu me lembro até que parou um carro no trânsito, era o Magalhães Pinto, aí eu disse ‘ô careca! Como é que é, careca!’, e ele acenou, mineiro, né. Aí finalmente fui lá, completamente de porre. Mas quando eu fico de porre, eu sou profissional, eu fico duro, como se tivesse engolido uma vassoura. E o que o general queria era só me dar um esporro e mais nada. Ele me fez ir do Rio para me dar um esporro, disse ‘eu conheço toda a sua vida, o senhor era funcionário do Banco do Brasil, não sei o quê, casado, dois filhos, por que o senhor leva essa vida de subversivo?’ Eu falei ‘mas eu não sou subversivo, sou só um porra louca, mais nada’.

Então ele me esculhambou, esculhambou e me mandou embora e liberou o material censurado, e quando eu estava na porta ele falou ‘Jaguar’. Eu me virei para ele, fiz uma cara meio que sacana, e ele ‘é verdade que vocês fazem muitas orgias lá no jornal?’ Eu falei ‘mais ou menos’ (risos) e fui embora antes que ele fizesse alguma proposta. Como se pudesse fazer uma orgia mais ou menos! Ou é ou não é!

– O que mais pegava na censura?
JAGUAR – A censura foi uma escalada. Primeiro não tinha censura, porque era ’só um jornalzinho de Ipanema’. Quando o jornal cresceu, não dava mais para fechar porque a gente tinha feito contato com o Washington Post, o Le Monde, e ia dar uma repercussão internacional. Então eles botaram a censura. A primeira censora foi a Dona Marina. Ela se apresentou, ‘eu sou a censora do jornal’, e nós ‘tudo bem, fique à vontade, a senhora pode ficar nessa mesa, é sua’.

Mas eu trabalhava com a garrafa de uísque, e quando ela terminou o trabalho disse ’será que eu poderia tomar um uisquinho?’, e eu ‘claro, Dona Marina, como não?’ Aí tomamos um uisquinho, brindamos. No dia seguinte, tinha em cima da mesa dela uma garrafa de uísque e gelo. Ela era alcoólatra! Ficava de porre e aprovava tudo! Foi demitida, né. O próximo censor foi um cara do caralho, o general Juarez. E aí, a coisa mais surrealista, eu e o Ivan Lessa levávamos o material para ser censurado na garçoniere dele, sentávamos num sofá na sala, e ele cortava as matérias assim, para você ver como era um cara legal, ele botava a lápis o que achava que tinha censurado, e eu e o Ivan discutindo ‘não, o que é isso, general?’. Se ele se convencia, apagava. Se ele não se convencia, passava a caneta.

E o mais engraçado é que ele fazia essa conversa toda debaixo de um enorme retrato de um metro e meio de altura da Brigitte Bardot com os peitos de fora. E a gente ficava torcendo para chegar uma garota lá. De repente chegava uma garota, bonitinha e tal, e ele dizia ‘esses aqui são meus amigos, Ivan Lessa e Jaguar, vá lá para o quarto que daqui a pouco estou lá’, e aí ele aprovava tudo. Ele jogava biriba na praia com outros generais de pijama, da reserva, e nós contratamos uma loira espetacular, que ia de biquíni levar o material, ela chegava lá e ficava se esfregando nele, e todos morrendo de inveja e ele cheio de prosa dando a entender que era amante dele. ‘Que é isso, generalzinho, não faz isso com o Jaguar…’, e ele ficava superorgulhoso de ter uma gata daquelas. Até que ele foi demitido.

Por que ele foi demitido? Eu fui entrevistar uma negra, Angela Gillian, que era uma mulata bonita para caralho, americana. Ela chegou, mulataça, com um bundão enorme, e ‘eu queria dar uma entrevista para o Pasquim’, e eu ‘por que? Você é namorada do Albino Pinheiro?’, porque o Albino Pinheiro só comia mulata. E ela ‘não, eu sou Angela Gillian, antropóloga americana, e eu queria fazer uma denúncia de que esse país é um país racista’. Eu falei ‘eu também acho’. Então fiz a entrevista, que foi ótima. Eu falei ‘isso não vai passar porra nenhuma’. Eu mostro a entrevista para o general Juarez, ele lê e ‘eu também acho que essa Angela está certa!’. E eu ‘o senhor acha?”, ele ‘acho!’. Saiu o jornal e ele estava demitido.

Aí a coisa ficou feia, porque a censura começou a ser feita em Brasília, e aí você tinha de mandar por avião ou por ônibus, e era uma complicação, às vezes extraviava, em vez de ir parar em Brasília ia para Belém do Pará. Mas mesmo assim havia os caras que se afeiçoavam ao Pasquim, e esses caras eram demitidos pelo general Bandeira, que era um filho da puta. Morreu há uns cinco anos, e eu ‘já morreu tarde’. Não tem esse negócio, não, morte não absolve, que vá para a puta que o pariu!

– Qual é sua opinião sobre o Ivan Lessa, que foi para Londres e nunca mais voltou para o Brasil?
JAGUAR - É um gênio, é o cara que melhor escreve no Brasil, na minha opinião. Ele agora tem feito umas coisas na BBC que são absolutamente primorosas. Mas ele nunca mais voltou para o Brasil, está há 30 anos lá. Agora, ele não pára de pensar no Brasil um minuto, ele é capaz de lembrar de coisas que eu já esqueci.

– Você sairia do Brasil?
JAGUAR – Detesto sair do Brasil. Quando a gente estava preso, na madrugada, 4 horas da manhã, abrem a porta…

– Quem estava preso?
JAGUAR – Nós todos, 11 caras do Pasquim. Aí o cara falou assim: ‘olhe aqui, se arrumem que vocês vão ser trocados pelo embaixador que foi seqüestrado pelo Gabeira e não sei quem, e vocês vão ser trocados e vão para a Argélia daqui a duas horas’. Aí eu me levantei e disse ‘olhe aqui, eu só vou debaixo de porrada, tem que me matar. Porra, eu tô aqui e amanhã vou estar andando de camelo no deserto do Saara, vá para a puta que o pariu!’, virei para o lado e dormi. E foi aí que ganhei o apelido de ‘o vegetal’. Mas, depois, um psiquiatra amigo meu disse o seguinte: você, quando passa de um limite e a realidade fica intolerável demais, uma das reações é apagar. Foi o que eu fiz. O pessoal ficou a noite toda discutindo, discutindo, e no fim era tudo guerra de nervos.

– Vocês ficaram quanto tempo presos?
JAGUAR – Mais de dois meses. Nós não fomos torturados, a única tortura era ter de conversar com os milicos.

– Você continua porra louca?
JAGUAR - Continuo, graças a Deus.

– Qual é a sua definição de porra louca?
JAGUAR - Porra louca é você fazer as coisas que um senhor da minha idade não faz. Por exemplo, eu vou sair hoje e vou tomar um porre homérico.