Wednesday, September 22, 2010

ABSTEMIA CHATICE ? SEI LA....


NA COMEMORAÇÃO DE 5 ANOS, MAIS UM BLOG SHOW DE BOLA.
" ABSTÊMIA CHATICE"
Publicado originalmente em 2005.
Recebi este e-mail dia desses, e acho no mínimo interessante. Mas gostaria de deixar claro que não tenho a intenção de fazer apologia alguma!. Cada um faz aquilo o que quer ne.....vai uma dose ai? rsrs
“Nada substitui a delícia de viver on the rocks”
Por Ailin Aleixo

Quando alguém sentencia “você precisa relaxar”, a primeira imagem que me vem à mente não é uma praia de areias brancas nem uma sessão de shiatsu, muito menos um laguinho de águas e patos calmos acompanhados por cânticos e mantras. Quando precioso relaxar, penso numa só coisa: uma mesa de bar.


Eu bebo, não nego. E digo mais: bebo melhor que muito macho porque não passo do meu limite para bancar a durona, não dou trabalho aos outros, não fico insistindo em assuntos que só interessam quem já venceu a barreira do décimo chope, não viro vítima do copo que me consola e nem entôo, num tom meloso pra lá de patético: ”Sabia que eu te considero pra caramba?”.
Eu bebo para ficar melhor do que eu sou não pior. Bebo para superar minha timidez natural, porque gosto do sabor de um bom vinho, a ardência de uma cachaça pura, da pegada forte de um amaro. Bebo porque viver é um troço complicado e precisa, vez por outra, da simplicidade mental trazida pela graduação alcoólica.

“Bebo para empatar com o mundo”, como diria Paulo Mendes Campos.
Todos nós prescisamos da embreaguez. Alguns conseguem rezando, jogando futebol, fazendo sexo, pintando. Tudo é a mesma coisa: necessidade de sair da realidade, dar um pause na roda incessante dos pensamentos. Por isso a mesa de bar é tão mágica: ela nos transporta para outra dimensão em questão de minutos, alivia o peso do cotidiano, dos problemas e prazos, reúne amigos que vivem enjaulados em suas existências. A mesa de bar é a grande responsável pela dose certa de irresponsabilidade de seus freqüentadores, é a redentora da happy hour, a testemunha de amores pós-escritório, de lagrimas disfarçadas, xingamentos lavados de alma, risadas arrastadas ao passado ou surgidas de desejos bizarros para o amanhã. A mesa de bar é a terapia mais divertida que existe.

ABSTÊMIA CHATICE

Também do Paulo Mendes: “A embreaguez é religiosa, e o altar das religiões antigas inventou de certo modo a mesa de bar. Aí, o homem punha-se em comunicação com o espírito divino, ligava o céu e a terra, transcendia-se”.
Por isso não tenho paciência com abstêmios. Não consigo entender quem não se dá o direito de perder as estribeiras vez por outra, que supõe ficar sob controle em período integral (presunção bem irreal, aliás). Que chato deve ser viver ao lado de quem não compreende o prazer do primeiro gole de chope cremoso, a delicia de esquecer as calorias, brigas e tempo ruim e largar-se a sociabilizar sem preocupações pessoais nem gramaticais. Não entra na minha cabeça quem prefere dormir cedo a curtir um animado papo bem regado até mais tarde.


Vai na FÉ.