Friday, August 18, 2006

EM CASA, NA AMERICA,TRABALHANDO.

De chinelo e bermuda de surfista, trabalhar em casa não exige trajes de escritório, tampouco transporte público. Mas haja disciplina para resistir ao sol brilhando lá fora.
Levava exatos três segundos para chegar ao trabalho.isso foi por 1 ano em 2004. – basta levantar da cama e me alojar na frente do computador. Trabalhar em casa é isso aí. Minhas manhãs são despidas de despertador, carro, metrô, ônibus ou similares. Essa economia de tempo talvez seja o melhor atrativo do que se chama home office – o dia rende.


Talvez a paz de trabalhar em casa tenha colaborado para minha qualidade de vida –fazia isso tres vezes por semana,segundas,tercas e quartas. o transito matutino daqui também não é nenhum glamour,apesar de muito bem organizado.Sei disso porque já trabalhei a 30 milhas de casa, mais precisamente na 192 st, rua da disney. Sem contar o sol,ou frio, e o vento do lado de fora – enquanto isso, no aconchego do sacro-santo-lar o modelo é a samba-cancão. Não conte para ninguém, mas já entrevistei e fiz reuniões com muita gente assim, ao telefone.
Em dias mais chiques, ando de short e camiseta. Não é a toa que um jornalista americano que trabalha nos mesmos moldes nos intitulou de underwear writers. Em vez de roupas de trabalho, meu gasto principal é com cerveja guiness e CDs: de guitarra andaluz a sons de índios canadenses. Claro que saio para almoçar com os amigos – eles de terno e eu de chinelo da ralph lauren. maior onda,rapaz.
As desvantagens? Uma é a falta de gente em volta. A outra: ninguém acha que você trabalha. O telefone toca o dia todo com convites tentadores: "vem tomar um solzinho no Universal studios!", ou "Te encontro daqui a meia-hora na porta do epcot!!" ou "Desce aí no Starbucks, é só um cafezinho!"."vamos tomar uma cerva hoje,!" Imagine se um advogado ou médico recebem chamadas assim em plena terça às 3hs da tarde! . Ainda faço isso 1 vez por semana, quando trabalho de casa, monitorando as coisas pelo laptop, e acho que,depois de se fazer isso por 1 ano, é a dosagem certa.

Confesso que muitas vezes eu ia – e virava a noite para tirar o atraso. Afinal, do lado de fora da minha porta tem um país fascinante e pulsante chamado America, a matéria-prima do meu trabalho. Mas muitas vezes dizia não. O mesmo acontece com amigos em Valência, Rio de Janeiro ou Paris. Talvez devêssemos lançar uma campanha estilo "não somos donos-de-casa, e nem elas modelos da Victoria Secret´s – ainda assim, estamos na labuta. Colaborem!"
Em tempo: Isso foi entre 2002 e 2003. E foi bacana, aconselho a todos que puderem.